Longines Omega rolex Vintage
Jan 27, 2026
André Sampaio

Como escolher o primeiro relógio vintage: guia para começar a colecionar e investir

"Não comeces pelo relógio mais barato que encontres. Mesmo numa gama de preços mais acessíveis opta por algo que te ofereça uma boa condição que te permita usufruir do relógio sem grandes problemas"

Como escolher o primeiro relógio vintage: guia para começar a colecionar e investir

 


Introdução
Escolher o primeiro relógio vintage assusta muita gente: há medo de comprar uma peça falsa, demasiado rodada ou que se torne um “poço sem fundo” em arranjos.

Com algumas regras simples e foco na qualidade, é possível começar a coleção com segurança e ainda com potencial de valorização a médio prazo.

1º passo - Definir objetivo e orçamento
Antes de olhar para referências e marcas, o primeiro passo é decidir se queres sobretudo usar o relógio no dia a dia, colecionar, investir ou uma mistura dos três.
Isto fará muita diferença no tipo de relógio que deverás adquirir.
Hoje vamos abordar o primeiro passo, relogios simples que podes usar com tranquilidade e alguma segurança na compra.


Em função disso, define um orçamento realista, por exemplo, 500–1 500€ para começar e aceita desde já que é melhor comprar uma boa peça do que vários relógios medianos. Qualidade em primeiro lugar, sempre!

2º passo - Marcas e modelos seguros para começar
Para um primeiro relógio vintage, faz sentido apostar em marcas com boa reputação, disponibilidade de peças e procura estável no mercado secundário. Ou seja, optar por uma escolha segura antes de partir para peças mais exclusivas. Dentro de uma gama de preço inicial de 500-1500€ poderás optar por relogios da Omega, Longines, Zenith por exemplo. Não serão necessariamente as únicas hipóteses mas são relogios que devido ao seu maior reconhecimento por um público mais abrangente serão mais fáceis de transacionar, fazer uma revisão ou arranjar peças se necessário.

3º passo - Modelo a escolher
Modelos clássicos e versáteis do género dress watches simples e se o orçamento permitir, cronógrafos conhecidos ou relógios de mergulho icónicos, serão mais fáceis de vender no futuro se quiseres rodar a coleção.


O que deves analisar num relógio vintage
Já aqui fomos tocando em alguns destes assuntos em publicações anteriores. Essencialmente deves avaliar um relógio vintage em quatro pontos essenciais: mostrador, caixa, movimento e bracelete.

Mostradores originais, caixas pouco polidas, movimentos revistos e braceletes em bom estado ou facilmente substituíveis são sinais de uma compra mais segura. Já aqui publicamos um post exclusivamente sobre mostradores e os cuidados que deves ter ao examinar um. Será sem duvida a parte que mais vai influenciar o valor de um relógio vintage por isso vai ler o nosso artigo sobre mostradores restaurados.
Em segundo lugar a caixa, aqui é preferível escolheres um relógio que mesmo tendo riscos ou pequenas pancadas mantém a forma original da caixa do que escolher um relógio "mais limpo" e com melhor aspecto mas que no entanto devido a polimentos anteriores já tem a caixa demasiado "arredondada", ou seja, já perdeu demasiadas arestas, tem as asas demasiado finas e em geral já foi retirado muito material devido a intervenções passadas. Uma caixa com demasiados polimentos, ou mal feitos, acaba por ficar com as paredes mais finas, sem as arestas originais, e muitas das vezes com asas demasiado finas e até de tamanhos irregulares entre elas. É preferível uma caixa com marcas mas que mantém a forma original. Cuidado muitas vezes com o termo "unpolished" que acaba por ser usado demasiado livremente, uma caixa com riscos não quer dizer que o relógio não tenha sido já polido anteriormente. 
Movimento. Ao escolher um relógio de uma marca mais comum facilita o processo de fazer uma intervenção, seja uma manutenção ou reparação, no entanto está atento a pormenores como as marcas nos parafusos que poderão indicar que o movimento já foi mexido muitas vezes ou por pessoas menos habilitadas e marcas de corrosão que poderão indicar um desgaste prematuro de peças mais importantes e dispendiosas.
Bracelete, em muitos casos será de muita importância pois a bracelete original será sem duvida uma mais-valia e um fator de valorização, comprar uma bracelete em separado sairá quase de certeza bem mais caro do que investir num relógio que já a traga. Sempre que for possível será sempre melhor adquirir um relógio vintage com a bracelete metálica original, no caso de o relógio só existir com bracelete em pele a importância já não é a mesma.

Originalidade e documentação
Peças com o máximo de componentes originais tendem a ser mais desejadas e estáveis em valor, mesmo quando têm marcas de uso coerentes com a idade.
Documentos, caixa original e registos de revisão ajudam a comprovar a história do relógio e a aumentar confiança, sobretudo em faixas de preço mais altas. Não será um fator de exclusão a não ser que estejamos a falar de peças mais neo vintage e de gama alta em que a presença destes elementos é de grande importância. Se estas a planear gastar entre 500-1.500€ para começar, a originalidade é importante, caixas e documentos ainda não entram nesta fase.


Onde comprar com segurança
Se hoje em dia a internet e as muitas plataformas de comercio online facilitam a procura também é verdade que aumentam as hipóteses de se comprar "gato por lebre". Normalmente quando um negocio parece demasiado bom para ser verdade, é porque é mesmo. Comprar bem não é comprar barato, comprar bem é comprar bom.
Comprar a lojas especializadas em relógios vintage, com reputação, política clara de devolução e garantia reduz muito o risco face a negócios de ocasião sem qualquer histórico.
Avaliações de clientes, fotos detalhadas e descrições completas de estado e manutenção são bons indicadores de que estás perante um vendedor sério e que estará disponível para prestar um bom serviço pós-venda. Normalmente as redes sociais ou fóruns são bons lugares para procurares informações sobre vendedores.

Começar devagar e pensar no longo prazo
O primeiro relógio vintage deve ser uma peça que queiras realmente usar, não apenas um “número” na coleção ou uma aposta de especulação rápida. Usa, experimenta, troca experiências com outros colecionadores, pesquisa e aprende o mais que puderes. Ao contrario do que se pensa um relógio vintage não é algo frágil que não se possa usar. Eles foram feitos para isso e normalmente a mecânica era muito simples e fiável e ainda hoje poderão ser usados diariamente.
Ao longo do tempo, estudar mais a fundo marcas, referências e movimentos vai permitir selecionar menos peças, mas melhores, construindo uma coleção coerente e mais sólida em termos de valor.


Não comeces pelo relógio mais barato que encontres. Mesmo numa gama de preços mais acessíveis opta por algo que te ofereça uma boa condição que te permita usufruir do relógio sem grandes problemas e cujo estado te permita mais tarde vender ou trocar facilmente e se possível com alguma valorização. 

Nunca te esqueças das três premissas fundamentais para um bom relógio vintage.
Condição, condição, condição!




 

Updated January 27, 2026