rolex Vintage
Jan 18, 2026
André Sampaio

Ainda vale a pena investir em relogios vintage?

"Nos últimos anos, alguns segmentos — como desportivos em aço de marcas como Rolex ou Omega — valorizaram de forma muito acentuada, o que trouxe mais atenção, mas também mais especulação e peças inflacionadas."

Ainda vale a pena investir em relogios vintage?

Ainda vale a pena investir em relógios vintage?

A resposta curta é: sim, mas já não é um “segredo” e exige muito mais conhecimento, paciência e foco na qualidade do que há 10 ou 15 anos. Relógios vintage tornaram‑se um ativo desejado não só por colecionadores, mas também por quem procura proteger capital em peças físicas com história e produção limitada.

Relógios vintage combinam três fatores difíceis de encontrar noutros bens: utilidade, escassez e valor emocional. São objetos que se usam no dia a dia, que não podem ser simplesmente “reimpressos” como dinheiro e que muitas vezes marcam momentos importantes na vida de quem os compra ou oferece.

Nos últimos anos, alguns segmentos — como desportivos em aço de marcas como Rolex ou Omega — valorizaram de forma muito acentuada, o que trouxe mais atenção, mas também mais especulação e peças inflacionadas. Hoje, é mais arriscado comprar “qualquer coisa antiga” a pensar em valorização; o foco tem de estar em qualidade, originalidade e histórico da peça.

Para quem pensa em investir, é essencial perceber que relógios vintage não são um investimento líquido e imediato como ações ou depósitos. Vender bem pode demorar tempo, exige rede de contactos, conhecimento do mercado e, muitas vezes, recurso a leiloeiras ou revendedores especializados, que cobram comissões.

O lado positivo é que, ao contrário de muitos ativos financeiros, um relógio vintage bem escolhido pode ser usado e apreciado no dia a dia enquanto mantém, ou até aumenta, o seu valor ao longo dos anos. Peças icónicas, de marcas fortes e em bom estado de conservação tendem a ter procura consistente, mesmo quando o mercado abranda.

Ainda assim, há riscos claros: falsificações cada vez mais sofisticadas, peças “frankenwatch” (montadas com componentes de vários relógios), restauros agressivos que destroem o charme original e modas passageiras que podem inflacionar referências durante alguns anos para depois caírem em desinteresse.

Para reduzir riscos, ajuda seguir alguns princípios: comprar o melhor estado que o orçamento permitir, privilegiar relógios com partes originais (mostrador, ponteiros, luneta, bracelete), pedir sempre fotos de alta resolução e, idealmente, documentação ou histórico de revisões. Quando possível, comprar a vendedores com reputação sólida e avaliações verificadas.

Outra boa estratégia é focar em nichos que se conhecem bem. Em vez de tentar “acertar” em tudo, pode ser mais inteligente especializar‑se em 2 ou 3 marcas ou tipos de relógio, acompanhando fóruns, resultados de leilões e o que colecionadores experientes estão a comprar ou vender.

Também convém alinhar expectativas: relógios vintage devem ser vistos como parte de uma carteira diversificada, não como o único investimento. Selecionar poucas peças bem estudadas, de marcas fortes e com boa documentação tende a ser uma abordagem mais sólida do que acumular muitos relógios medianos.

Se tens interesse em começar ou reforçar a coleção, o próximo passo ideal é definir o teu perfil: queres sobretudo usar, colecionar ou investir em primeira linha? A partir daí, torna‑se muito mais claro que tipo de relógios vintage procurar e como equilibrar paixão com prudência financeira.

Claro, a isto tudo, reforçar com muita pesquisa, estudo e aconselhamento com pessoas que realmente percebam um pouco do tema e que te possam acompanhar e aconselhar.

Updated January 18, 2026